21 maio 2010





PHDA - PERTURBAÇÃO DE HIPERACTIVIDADE COM DÉFICE DA ATENÇÃO


A Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) é uma perturbação que se caracteriza por défice de atenção/concentração, impulsividade e/ou hiperactividade / actividade motora excessiva.

Crianças/adolescentes com esta perturbação podem apresentar as seguintes características:

ð Défice de atenção e concentração

A criança pode ter dificuldades em:

– seleccionar informações

– iniciar actividades

– manter a atenção até ao final de uma tarefa

– prestar atenção a dois estímulos em simultâneo (ex: seguir o que o professor diz e tomar notas ao mesmo tempo).


ð Impulsividade

Estas crianças têm dificuldade em:

– reflectir antes de agir

– prevêr as consequências das suas acções

– planificar actividades

– seguir normas estabelecidas


ð Hiperactividade

Estas crianças podem manifestar um nível excessivo de movimento corporal (actividade quase permanente e incontrolada sem finalidade concreta).

As dificuldades podem ser mais evidentes nas situações em que se requer maior tranquilidade.


ð Outras características apresentadas por estas crianças

– baixa tolerância à frustração

- baixa auto-estima

– dificuldades em seguir normas

– desmotivação escolar

– rendimento escolar oscilante

– dificuldades em respeitar a sua vez, precipitação nas respostas

– podem ser pouco populares entre os seus companheiros

– fazem barulhos ou sons desadequados

– são imprevisíveis

– são distraídas

– parece que não escutam quando se fala com elas

– perdem ou esquecem o material escolar, têm os deveres pouco cuidados

– podem ser lentas a copiar informação

– têm dificuldades em adaptar-se às mudanças

– reagem de forma desproporcionada quando provocadas

– podem ser facilmente exploradas pelos outros.


in Maia, Carla. Verejão, Catarina. Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção – Um guia para professores. Hospital de São Gonçalo SA. Amarante





Programa de Modificação do Comportamento de aluno com PHDA – Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção


No sentido de promover algumas mudanças comportamentais de alunos com PHDA, apresenta-se de seguida uma estratégia, que deverá ser aplicada de forma consistente por todos os Professores.


Todo o processo, bem como os objectivos que se pretende atingir, serão explicados ao aluno, uma vez que é fundamental a compreensão do processo em que está envolvido para obter a sua colaboração.


Nas primeiras sessões de Psicologia o aluno irá construir o material necessário à implementação do programa, para que se sinta envolvido e sinta que é parte integrante do processo e não apenas receptor, motivando-o assim a cumprir as suas tarefas. Irá, então, decorar um pequeno caderno que andará sempre consigo, que será o seu “Bloco dos Elogios” e cuja finalidade é explicada de seguida.



Estratégia a aplicar com o aluno:

1. Sempre que o aluno apresentar um bom comportamento, no final da aula o Professor deverá escrever no seu caderno um elogio (exemplos: “Hoje o (nome do aluno) portou-se bem na aula!”; “Parabéns, (nome do aluno)!”; “Hoje fiquei muito feliz com o comportamento do (nome do aluno)!”; “O (nome do aluno) fez o exercício! Muito bem!”).

2. Têm de ser considerados bons comportamentos (ou comportamentos a elogiar) os seguintes:

a) Manter-se sentado no lugar, i.e., não correr na sala;


b) Estar correctamente sentado, i.e., com as costas menos curvadas que o habitual e com as mãos em cima da mesa, nem que seja apenas por uns minutos;


c) Não gritar (aceitar que fale num tom diferente dos colegas desde que não seja nitidamente a gritar);


d) Executar alguma tarefa sugerida pelo Professor (fazer um exercício ou apenas cumprir uma ordem simples como “(Nome do aluno), vai afiar o lápis” ou “Vai apagar o quadro”);


e) Manter-se em silêncio por alguns minutos (não podemos esperar que o aluno se mantenha em silêncio por muito tempo, é necessário elogiar se o fizer por 5 minutos ou mais).

- Isto são apenas alguns exemplos, o Professor deve elogiar qualquer comportamento que considere positivo. O elogio destes comportamentos aumentará a sua frequência ao longo do tempo, mas é importante lembrar que os comportamentos desadequados não vão diminuir nem sequer desaparecer em breve. Estas mudanças ocorrem muito lentamente e exigem perseverança da parte do adulto.

3. Enquanto escreve no caderno, o Professor deve verbalizar o elogio e explicar ao aluno porque mereceu o elogio (exemplo, “Hoje estás de parabéns porque estiveste sentado no teu lugar! Fiquei muito contente por isso!”;

4. Não dar elogios “envenenados”! O elogio pretende fazer sobressair o comportamento adequado, fazendo com que o aluno se sinta orgulhoso de o ter feito e potenciando por isso a probabilidade de aumento desse comportamento em detrimento de outros desadequados. Se a seguir ao elogio é relembrado o comportamento desadequado é este que ganha novamente destaque, anulando por completo o efeito positivo do elogio. Por este motivo é crucial que o elogio seja dado de forma expressiva e isolado, i.e., sem outros comentários. Exemplo de elogio envenenado: “Parabéns (nome do aluno), hoje estiveste em silêncio, devias estar sempre assim”, “…, porque é que não és sempre assim?!”, ou “…, porque é que ontem te fartaste de gritar?!” ou ainda “…, vamos lá ver se amanhã não voltas a gritar!”. O elogio correcto deve ser apenas “hoje portaste-te muito bem, estiveste em silêncio durante 10 minutos!”;

5. Ser consistente na aplicação do elogio. É importante mantermos presente a noção de que o aluno poderá estar habituado a funcionar deste modo desde sempre, pelo que a mudança irá necessariamente levar muito tempo até se transformar num comportamento habitual. Por este motivo, é essencial manter a consistência quando se aplicam estratégias como esta, i.e., utilizar qualquer comportamento (por mínimo que nos pareça) para elogiar e tentar fazê-lo no máximo de ocasiões/aulas possível, não desistindo mesmo que nos pareça que não está a resultar. Sublinho que o aluno precisa de sentir o sucesso, de ter experiências que lhe permitam perceber que é capaz e que tem capacidades, porque parte do desinteresse do aluno advém da sua descrença em si próprio. O elogio é a melhor ferramenta para se trabalhar a auto-estima do aluno.

6. Ao escrever no caderno, o Professor poderá recorrer a desenhos, a cores ou a tipos de letra diferentes e grandes para que a mensagem positiva tenha mais impacto no aluno e fique visualmente gravada na sua memória. Ao mesmo tempo a expressividade da mensagem fará com que o aluno experimente orgulho no seu comportamento adequado, contribuindo assim para a sua auto-estima.

(Nota: A sua baixa auto-estima está directamente relacionada com o seu desinteresse pelas aulas/escola. Se sentir que é capaz e que os outros reconhecem as suas qualidades, isso “alimentará” a sua auto-estima e consequentemente o seu interesse e motivação. É importante não esquecer que isto são objectivos a longo prazo, não devendo esperar resultados imediatos).

A Psicóloga,

Sara Coutada





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